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Quem é esse tal de “mundo” para levar meu bebê?

Vocês já ouviram falar em síndrome do ninho vazio. Todos sabemos que eventualmente nossos filhotes, ao amadurecerem, saem de casa e, ingratos, vão viver a vida deles nos abandonando, escolhendo suas próprias roupas e destinos no que eles chamam de “meu espaço, pai”. Acabam nos vendo apenas aos domingos, isso sem contar que não querem mais assistir Divertidamente e Toy Story com a gente. Filmes de animação no cinema então, nem pensar.

Desde antes de ter filhos achava muito louca essa tese “criamos os filhos para o mundo”. Agora que tenho dois, confirmei minha sensação: quem é esse tal de “mundo” que quer roubar meus guris???

Não, não surtei, só resolvi ser muito honesto com vocês. Vamos parar de fingir, adoramos ficar grudadinhos neles!

Mas de onde veio esse #prontofalei? Veio da manhã em que estava levando meu bebê de 11 anos para almoçar na casa da avó e tive uma sensação muito estranha, acho até que tive um “mal súbito”.

Olhei para o lugar do carona e percebi que alguém tinha levado meu bebê embora. Olhei para o lado e vi um homem. Minha respiração parou, meu coração apertou: a ficha caiu, não olho mais para baixo para conversar com o Gianluca. Olhos nos olhos, agora, é na mesma altura do meu olhar.

Ocupa o espaço de um adulto no banco do passageiro, meu bebê.

Acordei desse susto com a buzina do carro de trás gritando: “filho a gente cria pro mundo!”

Pensei em bater boca, descer do carro e mostrar quem é que manda aqui, seu animal, a sinaleira é que abriu muito rápido, jurava que ficaria para sempre na mesma cor!

Antes de acelerar e seguir a vida, olhei mais uma vez para meu bebê, juro que ele me sorriu como quem diz “fica traquilo pai, vou sempre te amar”.

Engatei a primeira, sorri de volta, coração aquecido com a cumplicidade dele, sai cantando pneu.

Seguimos na nossa conversa animada sobre a escola, os amigos, a política, o Natal, o videogame, mas principalmente, seguimos conversando sobre o orgulho que tenho dele e que não cabe no meu peito.

No outro semáforo, meu coração apertou mais uma vez: caiu a ficha de novo. Quem roubou meu bebê, e no lugar dele entregou um cara bacana, lindo e generoso foi esse tal de “mundo”. Então era isso!

Parece que é inevitável. O resultado das minhas pesquisas tem sido muito claro: ele está crescendo. Amadurecendo. Talvez seja a hora de eu amadurecer essa ideia também.

Mas não se enganem, não desisto fácil. Tenho andado com o Toy Story no smartphone caso surja alguma oportunidade de assistirmos, antes que ele perceba que o mundo já é dele.

 

 

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