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O que a noite de Natal pode nos ensinar

Após uma vida esperando por esse momento, contratei um Papai Noel para nos visitar na noite de Natal. Investimento tão grande quanto a barriga do bom velinho, mas faria tudo de novo, a cada semana, se pudesse.

Escancararia minha porta semanalmente, não apenas pelo olhar de absoluto encantamento do Gianluca, que no auge dos seus 11 anos sabe que o Papai Noel não é uma realidade absoluta, iluminaria uma cidade caso felicidade e perplexidade fossem fontes de energia elétrica.

Repetiria a dose, mas não pela desconfiança inicial do Stefano, que começou a falar frases aleatórias para criar uma certa intimidade com o Papai Noel, enquanto tentava decifrar se minhas ameaças em relação ao mau comportamento tinham efetivamente chegado aos ouvidos dele.

Muito menos pelo olhar condescendente dos adulto da família, quem sabe os que mais gostariam de ainda acreditar. Nele e em tantas outras coisas que a vida nos faz esquecer.

Eu chamaria o Papai Noel para a minha casa toda a semana porque ele me fez parar. Simples assim.

Enquanto ele entrava em nossa casa, passando pelo hall de entrada até a natalina sala de estar, meus batimentos cardíacos baixaram, minha respiração se tranquilizou, minha cabeça ansiosa parou de programar. Esse relaxamento que a minha vida ganhou teve início quando o sino do bom velinho começou a ecoar em meio ao tradicional “ho ho ho” e todos nós adultos fomos transportados para a época em que nossa vida era serena e pura.

Sentamos todos na sala, Papai Noel na poltrona próxima à árvore de Natal. Entendemos, ali, que dependia apenas de nós aceitar essa pausa e viver aquele momento mágico, a noite surreal em que, dentre tantas casas do planeta, as renas do trenó decidiram que a nossa seria a escolhida para aqueles momentos de fantasia e paz.

A visita foi longa até. Por 20 minutos houve a distribuição dos presentes e escutamos três breves histórias sobre pedidos especiais que ele recebera nos seus mais de 20 anos de dedicação ao mundo natalino. A mensagem básica era a de que devemos valorizar as pessoas à nossa volta e o que temos: saúde e amor.

Isso é o que ele pensou. Para mim, a mensagem dele não teve nada a ver com as histórias que contou. Teve a ver com o impacto do “ho ho ho” e do sininho badalando em nossas vidas. Teve a ver com a pureza dos meus meninos ao receberem a honrosa visita e com a frase que o Gianluca disse para mim quando São Nicolau partiu: “sabe, acho que na verdade ele até existe”, num esforço de ainda aproveitar o finalzinho de uma inocência que o tempo acaba levando.

O Papai Noel tem carta branca para voltar à nossa casa todas as semanas porque ele nos fez parar e observar uns aos outros. As crianças abduzidas pelo encantamento do gorro vermelho e da barba branca. Os adultos seduzidos pela possibilidade de fazer de conta sem ameaças. Entramos todos nós no gélido Pólo Norte enquanto nossos corações se aqueciam com a ‘pureza da resposta das crianças’.

Deixou para trás mais do que o som do seu sino ou a lembrança de uma noite única. Plantou em mim a semente da pureza de novo. Mostrou quão necessárias são essas pausas não programadas para seguirmos pulsando. Aliás, como diz uma amiga, a vida pulsa nos detalhes. Concordo, mas definitivamente temos de estar prontos para parar. Parar para sentir a pulsação.

Estejam abertos para perder tempo, sentir e ganhar vida.

Feliz 2017 para todos nós!

 

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