Arquivo 18-01-17 17 10 37

Como a empatia é fundamental para a sua paternidade

Lembro até hoje do dia em que aprendi o significado da palavra “empatia”. Nem apatia (do grego apátheia, onde páthos remete a “aquilo que afeta o corpo e a alma”, é o estado de uma alma indiferente), nem simpatia (do grego sympátheia, “participação em, ou sensibilidade ao sofrimento do outro” ou ainda “em afinidade ao outro”), muito menos antipatia (antipátheia, que também chegou à nossa língua pelo latim antipathia “em oposição ao outro”).

Empatia, basicamente, a capacidade de se identificar com outra pessoa, de se colocar no lugar do outro.

Essa descoberta pessoal já tem 15 anos e naquele tempo, o dos carros à combustão e do Orkut, o conceito de empatia não era tão difundido, e como hoje, não era muito aplicado.
Mas a descoberta pessoal que mais me tocou, e só foi possível graças a essa de 15 longos anos atrás, foi a de que um dos grandes segredos da boa paternidade (vale para a boa maternidade também, é claro), é exercitar continuamente a empatia em relação ao seu filho.

A partir daqui, explico melhor.

“Fulaninho, pelo amor de Deus, desliga esse desenho ridículo!”
“Beltraninha, que horror esse Justin Bieber! Isso nem cantar, canta!”
“Cicrano, que absurdo esse Whindersson Nunes, no meu tempo isso não vingava!”

Sim, os exemplos desse tipo são inúmeros, poderíamos ficar um dia aqui elencando esse tipo de reação. E todos mostram uma só coisa: pais e mães julgando as escolhas dos seus filhos baseados unicamente nas suas experiências e “no seu tempo” (que sempre era muito melhor).

Este tipo de julgamento definitivo serve para três coisas que todos nós deveríamos querer evitar:

1. desqualificar as escolhas dos nossos filhos;
2. desmerecer qualquer tipo de aprendizado que possamos ter com eles;
3. e, o mais cruel, nos afastar deles.

Antes de explorar o poder da empatia, tenho que deixar uma coisa clara, muito clara: ter empatia não significa ser o melhor amigo do seu filho e esquecer de educá-lo! Pelamor, não confundam tudo.

Foi escutando esse tipo de julgamento em relação a temas como youtubers, tênis com led, Minecraft e outras manias dos nossos pequenos que me caiu a ficha: precisamos entender disso tudo assim como entendíamos de Atari, de Acquaplay, do Balão Mágico ou do Marathon 2000.

Precisamos nos colocar no lugar dos nossos filhotes e não contra tudo o que eles gostam. Precisei estudar o Minecraft para entender que estamos todos no modo “survival”, eu e você também. Assisti a muitos youtubers para entender o porquê de tanta audiência. Se eles conseguem a atenção da gurizada, nós também vamos dar um jeito de conseguir!

Isso tudo, vejam bem, sem nos imbecilizar, mas também sem cair julgando e condenando.

Não, nosso tempo não era melhor. E digo isso porque HOJE é nosso tempo também. Só que de quando éramos crianças até agora, as brincadeiras mudaram. Lembrem-se, nossos pais também achavam um absurdo ter que comprar um Atari. Isso sem falar nas mães que eram fãs dos Menudos ou do Polegar e estão aqui me lendo achando que o One Direction é bobinho. Quem te viu, que te vê!

A empatia me aproximou dos meus dois filhos. Me divirto assistindo ao Leon e a Nilce com o mais velho (sério, não sabe quem são??) e me aconchego com a caçula assistindo Meu Amigãozão. Brinco de massinha com os dois, porque algumas coisas são atemporais, como nós. Estamos aqui agora, já estávamos há um tempo e ainda vamos continuar, se Deus permitir.

Não exercitar a empatia é uma escolha. Não a minha e não deveria ser a sua. Quando paramos de criticar as escolhas dos nossos pequenos a passamos a nos abrir para este diálogo de gerações, quando nos permitimos rir do nosso passado (Menudo e Polegar) damos espaço para eles entenderem que nós também fizemos bobagens. Isso nos aproxima. Essa proximidade é resultado direto da empatia porque a empatia é recíproca: eles também conseguem se colocar no nosso lugar.

Vocês perceberam que falei em “exercitar” a empatia. Exato, captaram a ideia: é um exercício permanente. Colocarmo-nos no lugar do outro em casa, no trânsito, na fila do banco. No lugar de quem escreveu esse texto pensando o tempo todo em se colocar no seu lugar.

Entender as preferências dos nossos filhos e as escolhas pessoais deles abre um caminho de ouro para uma relação bonita e duradoura. Quando necessário, rebatam as escolhas deles, não há problema algum, mas não com argumentos vazios do tipo “no meu tempo” ou “não gosto”. Sim, o foco não é você, é ele.

Esses dias escutei um pensamento que encerra perfeitamente esse texto: os pais estão tão desesperados para que seus filhos os amem e nessa busca maluca (cedendo, se rebaixando, se anulando), acabam perdendo o respeito e o amor tão desejado. Minha experiência mostra que o pai e a mãe empáticos estarão trilhando um caminho mais amoroso e duradouro.

E você, já se colocou no lugar do seu filho hoje?

 

3 comentários em “Como a empatia é fundamental para a sua paternidade

  1. Está cada vez melhor sua mensagem ! Continue assim é muito gostoso e engraçado agente pensar e agir como se fossemos criança .

    Um abraço !!!

  2. Beto,
    Parabéns pela abordagem. Veio em ótima hora. Realmente, se não nos policiarmos, atropelamos as vontades dos nossos filhos!
    Excelente texto, escrita clara e objetiva.

Deixe uma resposta