Arrepio

O arrepio da alma

Tem gente que passa a vida tentando fazer uma foto boa da lua com o celular. E tem gente que simplesmente olha para a lua.
Começo a acreditar que assim é na vida também. Podemos tentar “fotografar” relações, caminhos e aprendizados. Ou embarcamos de corpo e alma em relações, caminhos e aprendizados.
Todos sabem, foto da lua pelo celular? Nunca fica boa. E ainda por cima, deixamos de vibrar com a lua gigante lá no céu e só registramos a frustração de uma diminuta esfera borrada perdida em meio a quinhentas selfies jogadas na nuvem dos nossos celulares. Onde pedeefes de boletos e fotos do nosso casamento se misturam com inacreditável promiscuidade.
Viver como se fotografássemos algo que pede para ser sentido a olho nú é passar à margem. É viver desfocado. É se frustrar por ter guardado na memória do coração apenas o diminuto borrão.
Fazer uma paternidade amparada nos filtros das redes ou valer-se do olho no olho que ilumina qualquer relação verdadeira?
Olhar para a lua, em todos os sentidos, inclusive no literal, é se permitir o real. O verdadeiro. O que dói e o que cura. A evolução. E a chegada. E a partida.
Minguante, crescente, cheia e nova. Se não é uma paródia das nossas vidas, é pura ironia para dar sentido à minha teoria. Tantas fases e a gente se enganando ao registrar apenas o que esperam de nós.
Abandonemos as fotos borradas e vivamos o toque da pele. Porque só ele arrepia a alma.

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