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O grande ‘spoiler’ sobre o nascimento do segundo filho

Nunca gostei de frases feitas.

Onde come 1, comem 2. Filhos, dois ou três é prazer, sete ou oito é fogo. Filho único, mal criado ou mal acostumado. Filhos pequenos, dores de cabeça; filhos grandes, dores de coração. Filhos criados, trabalhos dobrados.

Mas a que eu REALMENTE odiava é a que mais repetiam para nós: “um filho é diferente do outro”. E, ainda, “Se o primeiro foi calmo, te prepara para o segundo!”.

Considerando que minha esposa e eu somos tranquilos, e o nosso primogênito sempre foi mega sereno, nunca nessa vida teríamos um filho surtadinho.

As frases feitas não eram para nós.

Eis que nasceu o ruivo Stefano e todas as minhas crenças sobre segundos filhos e, principalmente, frases feitas foram por água abaixo.

“Óin, ruivinho que amor… são terríveis!” Nova frase feita que passaram a declamar já na maternidade.

Vamos aos fatos: a chegada do segundo filho dá uma bagunçada geral mesmo, não importa o comportamento ou a cor do cabelo. Ainda não identifiquei claramente os motivos dessa bagunçada, mas seguem algumas hipóteses:

1. Filho mais velho tem ciúmes, regride e quer mais atenção do que jamais quis na vida;

2. Filho mais velho se decepciona com o mano que chegou afinal de contas a gente não ia brincar juntos e cadê que esse mini bebê vai conseguir montar Lego comigo;

3. Filho mais novo é uma esponja. Absorve tudo, tudinho mesmo, em frações de segundo. Mas só as travessuras do irmão mais velho, porque não morder os outros membros da família não aprende nunca;

4. O filho mais velho, que nunca tinha mordido ninguém, passa a copiar o mais novo e passa a morder especialmente o bebê;

5. O caçula sempre quer sentar exatamente no lugar que o irmão está sentado, assistir justamente o desenho que o mais velho não quer, comer sempre o pedaço de pizza que o mano nem queria mas agora passou a querer mais do que a própria vida;

6. Os pais se revezam em tantas tarefas que mal se reconhecem dentro de casa.

Se você marcou “todas as alternativas anteriores” como hipóteses possíveis, sabe do que estou falando.

Agora sim, o spoiler

Mas sabe quando, em que momento exato, você perde seu posto de dono da razão nessa bagunça toda em que a sua serena família se transformou?

Quando você se mete entre os dois!

A cena é a seguinte: estão os dois no auge da disputa pela fatia de pizza ou pelo desenho na TV ou porque um chegou antes do outro na porta do carro e ai, ingênuo pai, o que você faz? Conta pra mim.

Se mete na briga deles. Inocente, sabe de nada.

Eis que os dois guerrilheiros que há um segundo estavam quase indo às vias de fato, te olham e automaticamente começam a defender um ao outro. Já você passa a ser o errado de toda a história. “Pai injusto, o Stefano nem tava fazendo nada e o Gianluca é um santo, seu crápula”.

Sim, eles se tornam uma dupla inseparável e você ficará para trás na lista dos “Top da família” porque meu mano é meu mano e ninguém se mete com ele, escutou bem papai?

Escutei, escutei…

E essa cumplicidade e união entre os dois é que faz tudo valer a pena: a bagunça geral, a canseira monumental, até as frases feitas valem a pena quando os filhos se unem “contra” você.

Você acaba de perder uma briga e fica emocionado em ver a cumplicidade daqueles pestinhas. Geralmente temos acabado essa cena dando risada, os três. Mas mala que sou, às vezes acabam no castigo também.

Nasceu, ali na maternidade, uma simbiose que envolve amor, muito amor. E disputa, e rivalidade. Mas muito amor.

É, onde come 1, comem 2. Mas no paraíso onde padece um, também padecem dois (papai e mamãe).

E viva as frases feitas! 

 

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