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Sobre um livro necessário

Sabe quando você é criança e quer ver até onde chega trancando a respiração para atravessar uma piscina? Cada um dos 71 Leões da Lau é uma travessia dessas. Comecei a leitura de cada capítulo e não sabia até onde teria fôlego. É prudente parar para respirar. Ou para chorar. Ou ambos.

Não se engane. Não é um livro triste. Absolutamente. É um livro emocionante. Impossível me entristecer com tanto amor. Também não é um livro sobre superação. E essa frase nem é minha. É da própria autora, que odeia o termo.

Aliás, a Lau me mentiu. É importante deixar claro já no início, porque talvez ela tenha mentido para você também. Conversamos por horas mágicas num café de Porto Alegre, que era o preferido dela e passou a ser o meu. Mas só quando ela estiver junto. Naquele dia, ela me disse, eis a mentira – que era um livro sobre dor. Não tinha nem saído da gráfica ainda, e ela sendo a autora, achei prudente acreditar.

Fosse um livro sobre dor, não seria um livro da Lau. Muito menos do João. Menos ainda da Ana Luiza, mãe da Lau.

É fundamentalmente um livro sobre amor. Não aquele de revista em que todos nascem lindos, brancos e se amando incondicionalmente. Mas sobre o amor que dói, que castiga. Que arrebata.

Amor que, após quase matar essa mãe, deu sentido à sua vida. De novo, sem romantismo. Esse livro é sobre soco no estômago. E sobre você querer ser socado no capítulo seguinte. E mais. E assim por diante.

E, finalmente, este livro é feito para humanos. Dos que enxergam as pessoas. Olham nos olhos. E não daqueles que decretam a morte de ninguém antes da hora.

Quando você já for da família, e até sonhar que sua foto também está no painel instalado na UTI, terá entendido que é preciso ler e reler várias frases porque é um livro para se reler frases. O tempo inteiro. Frases potentes. Socos calculados para que possamos absorver toda a força e amor. Para mim, um livro sobre força e amor.

Talvez minha busca por decretar o tema central do livro seja uma grande fuga. De mim mesmo e da minha dor enquanto deficiente. E talvez toda a soma de aprendizados vindos de uma escritora tão jovem me exijam uma categorização improvável. Do contrário, seria muito assustador. Mulheres brilhantes podem ser devastadoras. E ela é.

Toda a potência de uma alma pulsando em cada vírgula, em cada palavra acertada. Frases memoráveis. Uma história que vai mudar histórias. Nesse sentido, a Lau é devastadora: está impactando o mundo com a sua vida e a do João.

É ela, a maior incentivadora para que eu fale sobre inclusão. Ela sugere, eu obedeço.

Clichês não são o melhor recurso para se encerrar um texto que pretende contar minha emoção ao ler um livro. Mas achei necessário. “Nada é por acaso”. Há alguns anos, sentada no chão do box do vestiário infantil de um clube, dando uma ducha divertida no João, estava essa mulher. Mulher polvo. Foi nosso primeiro contato. As duas famílias. O que mais guardo desse encontro é o fato dos meus filhos não terem feito uma pergunta sequer sobre o João que não a mais óbvia de todas: “ele também faz natação aqui, papai?”

É singelo, mas mostra que quem enxerga através da carcaça, só vê amor. E força. Afinal, é sobre isso os 71 Leões.

Um livro necessário. Leia. E releia.

 

A família "mala" com a potente Lau Patrón.
A família “Mala” com a potente Lau Patrón no lançamento dos 71 Leões em Porto Alegre.

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