pexels-photo-14303-large

Eu não suporto pais de crianças mimadas

Esse texto nasceu em um jantar durante nossas férias de julho no nordeste, após presenciar um menino de aproximadamente 7 ou 8 anos de idade dar tapas no rosto do seu pai e socos fortes no braço da sua mãe com muita raiva e uma agressividade que eu nunca havia visto em outra criança em pleno restaurante do hotel. Não bastasse apanharem, os pais ainda escutaram uma dura reprimenda do menino (é um “xixi”, crianças) para que dessem alguma coisa a ele, e logo (não entendi o que era, mas pela expressão imponente do menino, percebi que era algo importante para ele).

O jantar dessa família só ganhou um pouco de paz quando enfiaram o guri na frente de um tablet e o pai e a mãe passaram a dar comida na boca deste menino de praticamente 8 anos, hipnotizado pelo iPad. (Nota do Pai Mala: não, esta criança não tinha nenhuma restrição motora que obrigasse os pais a alimentá-lo na boquinha aos 8 anos de idade após terem apanhado do mesmo.)

Para tudo que eu quero descer foi o que eu pensei. Tá tudo errado: vou lá bater nesses pais também!

Sim, minha primeira constatação foi a de que eles mereciam apanhar. Gente, que doideira, quem deixa uma criança chegar a este ponto?

Quem faz deste serumaninho, uma criança desagradável, sem noção e sem limite algum?

Quem tolera essa agressividade e ainda “recompensa” abobalhando ainda mais o menino dando comida na boca de um “marmanjo” de 8 anos?

Por isso, afirmo categoricamente: não suporto pais de crianças mimadas.

Já disse em textos anteriores, e não precisa ser um gênio da psicologia para entender que somos produto da educação que recebemos, reflexo dos nossos maiores exemplos, resultado dos limites didáticos que aguentamos, frutos do amor que nos deram.

Se eu sou um pai que aceita essa agressividade de um filho e demonstro total inabilidade em conter esse absurdo, sou eu, sim, o culpado por essa criança detestável.

Claro, tive vontade de chamar esse casal num canto, oferecer uma Coca-Cola e contar a verdade para eles: que eles são péssimos educadores. Que dar comida na boca de um marmanjo mimado deveria ser crime, e que apanhar de um filho é tão ou mais grave do que bater no próprio filho.

Encontrei este mesmo casal mais algumas vezes durante nossa agradável estadia, e em todas as vezes vi a mesma coisa: pais reféns, amedrontados pela reação explosiva do filho.

O olhar de medo e cumplicidade dos dois, pai e mãe, era quase engraçado. Total inversão de papeis. É um caso grave e eu sou apenas um mala palpiteiro, não tenho a terapia mais adequada para essa família, mas a vontade de ir lá e dar mais uns tapas para acordar esses dois, ah essa vontade eu tive. Mas não fiz.

Não suporto esse tipo de pais porque além de incompetentes, e de estarem prejudicando o próprio filho, não estão exercendo esse belíssimo papel que é o de educadores de futuros adultos amorosos, generosos e promissores. Ao contrário, estão criando um futuro nefasto para toda essa família.

Espero sinceramente que encontrem uma saída para esse absurdo. Pelas cenas que eu vi, não acredito que vá acontecer, mas deixo aqui meu honesto pedido: quem encontrar esse povo num resort por ai, não seja covarde como eu, chame eles num canto e fale a verdade reveladora de uma vez por todas.

 

Deixe uma resposta