estomago

Estômago fraco

Adoro ser pai, mas
Não boto pra dormir.
Não me acordo de madrugada.
Brinco no banho, mas não dou o banho.
Não digo não.
Não lido bem com manha.
Não troco fralda.
Não aguento choro de cólica.
Não arrumo a lancheira.
Não vou a reuniões na escola.
Mas adoro ser pai.
Mesmo? PAI? De verdade?

Hoje fui surpreendido ao ler uma entrevista concedida pelo cantor Gustavvo Lima à revista Quem em que declara “ter estômago um pouco fraco” para trocar as fraldas de seu filho.

Gustavvo, não se engane. Eu sei que você gosta de ter um filho, de ser pai, de ser presente. É claro, eu sei que você ama seu filho. Não estou discutindo amor. Aliás, não estou nem mesmo “discutindo”. Só acho que a sua declaração de que “tem estômago fraco” para trocar fraldas de seu bebê não tem mais lugar nos dias de hoje.

Não, não é “mimimi” nem “politicamente correto”. O nome disso é PATERNIDADE. Assim mesmo, em letras garrafais.

Hoje em dia, no tempo em que você e eu somos pais, Gustavvo, muitos maridos ainda matam suas companheiras por achar que há uma diferença entre os direitos (e deveres) de homens e mulheres.

Não há. Acredite em mim. A mulher, por exemplo, não tem o direito de ter estômago fraco.

Você ainda disse: “Depois que você tem filho, sua vida muda. É tão bom que eu já fiz o segundo”.

Claro, filho é realmente maravilhoso. Mas estou te chamando aqui para falarmos sobre PATERNIDADE. E paternidade é outra coisa, é diferente de ter filhos. Entendo tua carreira e vida conturbada. Mas apesar de ser “tão bom”, não é fácil, sabia? Envolve muitos medos, insegurança, cansaço, noites e dias de preocupação.

Minha esposa e eu pensamos muito antes de ter o segundo filho porque sim, é muito bom, mas é muita responsabilidade. Sim, sou um apaixonado pela paternidade. Ser pai me mudou para sempre. Não penso a minha vida sem meus filhos. Mas diariamente sei o custo das responsabilidades da paternidade.

E aí você está se perguntando porque diabos estou julgando uma pessoa que nem conheço, que feio.

Estou julgando porque acredito que as figuras públicas tem que dar algum retorno social em retribuição ao sucesso popular que possuem.

Um cantor de tamanha popularidade tem a obrigação de passar uma mensagem responsável sobre temáticas tão relevantes quando a PATERNIDADE. Milhares de jovens (homens e mulheres) idolatram o que você fala, Gustavvo. Então, dê um exemplo positivo. Esclareça esses fãs que a paternidade (e a maternidade) é coisa séria. Custa caro e demanda muito.

Mas esse é o Brasil que temos. Onde brotam homens que não assumem a paternidade de seus filhos, nem no documento, nem no coração deles. Um país onde homens ainda matam mulheres “porque sim”.

É justamente por este país que espero exemplos melhores do que o de homens de estômago fraco para a paternidade.

Neste link está a entrevista do cantor.

 

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